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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Brasiliana

A Brasiliana, biblioteca composta pelos livros raros doados por José Mindlin, o maior colecionador brasileiro, à USP, será escaneada por um robô e disponibilizada na internet.

A Brasiliana será recebida por um prédio que ainda está em construção, projetado pelo arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb, neto do bibliófilo.

Serão três andares de livros, nos quais todas as paredes serão uma vitrine para o acervo de 17 mil títulos dos mais de 100 mil da biblioteca completa de Mindlin, por ou sobre o Brasil. Estarão expostas, por exemplo, todas as primeiras edições dos livros de Machado de Assis, de “O Guarani”, de José de Alencar, e do “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo.

Em um espaço abençoado por Santo Inácio, uma imagem do santo em pau-oco (usada para esconder ouro e escapar ao fisco português), um robô do século XXI – que reconhece 120 línguas, devora 2,4 mil páginas por hora, construindo a “Brasiliana digital”.

A grande novidade é que o livro será visto como se fosse o original. O projeto de digitalização prevê busca por palavras-chave, frases, textos, iluminação de períodos e cópia.

A previsão para o término da construção do prédio da Brasiliana é jul. /2010, mas os primeiros livros para consulta online serão disponibilizados em junho.

Assim, em junho, poderão ser vistos e consultados os livros sobre os viajantes que percorreram o Brasil no período dos séculos XVI a XIX; as gravuras de Debret; as obras sobre História do Brasil e Literatura brasileira; os 17 volumes da primeira edição dos vários sermões do Padre Vieira; a primeira edição brasileira de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antonio Gonzaga (apensa 3 unidades no mundo); os livros de José de Alencar e a primeira edição de “O Guarany”.

Percorrida esta etapa, 200 livros e mil páginas, serão somados ao acervo, por semana. Enquanto isto, o projeto completo da Brasiliana pode ser visto em site especial construído pela USP.


Fonte:
G1 - Bom Dia Brasil

Imagem Mindlin - Sesc/SP
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Livros raros da USP na WEB

A Biblioteca Digital de Obras Raras e Especiais da Universidade de São Paulo (BDOR/USP) disponibilizou, para livre consulta, algumas das principais obras de seu acervo, incluindo livros anteriores à sua fundação, algumas obras dos séculos 15 e 16, entre outras.
O objetivo da medida é ampliar e democratizar o acesso, liberando-o tanto aos pesquisadores quanto ao público em geral.
Inicialmente foram selecionados 38 livros,em várias áreas do conhecimento – anteriormente catalogados e conservados –, escolhidos por critérios de antiguidade, valor histórico e inexistência de novas impressões ou edições do título.
Alguns livros foram digitalizados integralmente e estão disponíveis para consulta ou impressão para uso não comercial, enquanto outros tiveram apenas suas capas digitalizadas.
Títulos como o Liber Chronicarum – uma história do mundo escrita em 1493, ricamente ilustrada, colorida à mão, com texto em gótico e notas manuscritas –, e Ordenações de D. Manuel (1539) –, sua primeira folha é uma xilogravura representando as armas portuguesas –, agora poderão ser conhecidos de todos.
Parabéns à USP


Sobre o Liber Chronicarum
Uma das obras mais conhecidas do século XV, além da Bíblia de Gutenberg e a mais ricamente ilustrada entre os incunábulos (livros impressos em meados do séc. XV, até o último dia, inclusive, do séc. XVI).
As xilogravuras, aproximadamente 2.000, do volume disponível na BDOR-USP são de Michael Wohlgemuth e seu enteado Wilhelm Pleydenwurf, ambos mestres de Albrecht Duerer (maior artista alemão da Renascença). Representam, entre outros, acontecimentos históricos da Bíblia, Papas, fenômenos da natureza – cometas, terremotos, animais, anomalias, etc. –; vistas de cidades –destacando-se Nüremberg, Viena, Basiléia etc. Das cidades que o impressor não possuía uma vista original, simplesmente repetia alguma outra menos conhecida, fato usual na época.
O mapa da Europa Central é uma cópia aumentada da Geographia de Pomponius Mela (Veneza, Erhard Ratdolt, 1482), que se baseou no mapa do Cardeal Nicolau de Cusa. O outro mapa representa o mundo antigo.
Essas crônicas eram de um gênero muito difundido na Idade Média, até no Renascimento. Em geral eram volumosas, muito ilustradas e tratavam dos acontecimentos mundiais, desde a criação do mundo até as profecias do Apocalipse. Traziam historietas, lendas, anedotas... À medida que o texto se aproximava da época em que vivia o autor, as informações eram atualizadas. Assim, no verso da f. 252, há uma curta notícia sobre a invenção da imprensa em 1440.
O impressor da obra, Antonius Koberger, talvez tenha sido o tipógrafo mais conhecido do século XV. Sua atividade editorial e de impressão era tão vasta, que as 24 prensas que possuía eram insuficientes, tendo que mandar imprimir em Basiléia e Lião. Sua atividade levou-o a ter filiais em Augsburgo, Basiléia, Erfurt, Frankfurt sobre o Meno, Hamburgo, Ulm, Viena, Veneza e em diversas outras localidades.


Ordenações de D. Manuel – Ordenações Manuelinas
O livro não tem folha de rosto. A primeira folha é uma xilogravura representando as armas portuguesas. A obra é dividida em 5 livros, com paginação e assinaturas próprias.
As Ordenações Manuelinas são de 1514, tendo compilações publicadas em 1521, 1526, e a apresentada na BDOR-USP, de 1539, com quatro livros de Sevilha e o quinto de Lisboa, todas extremamente raras.
Juan Cromberger, deve ser filho de Jacob Cromberger, impressor renomado.

Informações:
BDOR/USP
Agência Fapesp
Portal Artes
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