segunda-feira, 11 de maio de 2009

Flagrante caso de plágio

A Revista Analytica publicou dois estudos inteiramente (da primeira à última palavra, exceto o título), plagiados de publicação feita pela revista Química Nova (2007), da SBQ (Sociedade Brasileira de Química), conforme noticiado pela Folha Online (7/5/09).

Um dos artigos é de autoria do grupo do químico Ivo Küchler, professor da Universidade Federal Fluminense, e o autor do plágio, o engenheiro químico Johnson Pontes de Moura, que também plagiou um estudo sobre combustão de metano, do grupo de Ione Baibich (UFRGS). Küchler ficou estupefato pelo plágio ter sido da íntegra do artigo e entende ter havido também negligência da revista, uma vez que, se buscado por palavras-chave, seu trabalho seria facilmente localizado na internet.





A Revista Analytica cedeu uma página de sua próxima edição para a devida retratação, além de ter colocado o aviso (imagem) em sua home.




Independentemente das retratações e das medidas cabíveis,
fica uma sensação estranha ao pensarmos que, de agora em diante, uma das funções dos meios de comunicação é fazer buscas pela internet para decidirem se publicarão, ou não, determinado artigo.

A mesma a Folha (28/3/09), transcreveu parte da Gramática Houaiss da Língua Portuguesa, esclarecendo as variadas formas de se reescrever/reelaborar um texto, veja abaixo:

"4.5.6.4.2 Reelaboração - A reelaboração consiste em produzir um texto (texto meta) derivado de outro (texto fonte). A relação entre os dois é geralmente de todo e todo. Entre os modos de reelaborar um texto, cinco são bem conhecidos, como segue.
  • 4.5.6.4.2.1 Paráfrase - A paráfrase consiste em refazer um texto fonte em função de seu conteúdo. É uma categoria que abrange resumos, condensações, atas, adaptações relatórios.
  • 4.5.6.4.2.2 Tradução - Tradução é uma variedade de reescrita de um texto, em que o texto meta é reelaborado em uma língua diferente daquela em que foi produzido o texto fonte. Tradução e paráfrase mesclam-se no gênero 'tradução adaptada', comum quando se trata de traduzir obras literárias muito extensas para o público infantil ou infanto-juvenil.
  • 4.5.6.4.2.3 Paródia - A paródia é a recriação de viés crítico, com intenção cômica ou satírica. Na paródia, o texto fonte não é apenas o ponto de partida. Ele permanece entrevisto no espaço do texto recriado, sem o que se perde o efeito de sentido da paródia.
  • 4.5.6.4.2.4 Plágio - O plágio consiste na apropriação ou imitação, essencialmente ilícita, de texto alheio. Pode ser parcial ou total, distinguindo-se da paráfrase e da paródia por ocultar seu processo de criação. A facilidade, criada pela internet, do acesso a textos alheios aumentou consideravelmente a prática do plágio nos meios acadêmicos.
  • 4.5.6.4.2.5 Retificação - A retificação consiste no ato discursivo pelo qual o enunciador corrige ou modifica uma palavra, uma construção, uma formulação com o propósito de tornar a expressão mais precisa ou mais adequada. O alvo da retificação é normalmente um fragmento de texto, e pode ser extraído de um discurso alheio ou do discurso em processo do próprio enunciador, como nesta passagem de Nelson Rodrigues:
'(O pintor) punha no colarinho uma gravata feérica ou, melhor dizendo, uma gravata que era um repolho multicolorido.' [RODRIGUES, 1993: 225]" (transcrição literal)


Fontes:
Folha Online
Revista Analytica

2 comentários:

Alan Niemies disse...

Nossa, uma revista que faz isso perde totalmente a moral. Mas creio que essa Revista Analytica nem se deu ao trabalho de pesquisar o texto do engenheiro químico, a fim de ver se há algum erro desse tipo, como plágio total (mas com certeza agora ela aprendeu).
Na blogagem, que é a minha área, isso acontece aos montes. Todo mundo sabe que plágio em blogs é uma desgraça. Mas, em revistas, as consequências são muito maiores!

Abração, obrigado pela visita ao Análise Blogueira e boa noite Margga!

Teodoro disse...

Venho aqui em nome dos alunos de Engenharia Química da UFRN, local onde o esse "tal" de Johnson é formado, deixar nossa indignação pelo ocorrido. Assim como muito alunos do nosso curso, eu também dou o melhor de mim para desenvolver artigos científicos com qualidade e importância social, o que faltou ao Johnson. Tenho absoluta convicção de que este artigo foi publicado dessa maneira sem o conhecimento de seu orientador.
É uma vergonha que o nome desse picareta esta vinculado a UFRN e ao nosso curso, nome este que não será sujado por um ato desse frente aos ótimos artigos "originais" que o nosso departamento publica. Isso com certeza é um fato isolado, afinal de contas honestidade é uma qualidade, nesse caso, de consciência individual.

 

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